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AGRESSIVIDADE, SINAL DE ALERTA!

05 fev admin 2 Coordenação . Orientação familiar . Reunião de pais . Reunião pedagógica

Muitos pais e educadores se deparam com diversos questionamentos.

  • O que pode desencadear na criança um comportamento agressivo no ambiente familiar e escolar?
  • Considerando que a mesma até então não apresentava nenhuma atitude agressiva com seus familiares e amigos da escola?, entre tantas perguntas, sem respostas.

Pode não parecer, mas a agressividade é uma maneira que a criança encontrou para se expressar, se comunicar, ou seja é um alerta que algo a incomoda, sendo uma forma de expôr sentimentos e desejos.

Observar muito bem cada atitude e manter o diálogo são os primeiros passos para descobrir a causa do problema. Muitas vezes, a criança pode estar vivenciando conflitos ambiente escolar, que a faça desempenhar algum tipo de atitude agressiva e situações de âmbito familiar como por exemplo: presenciar brigas dos pais com frequência, falta de atenção, permissividade, separação dos pais, entre tantos outras situações.

Para Winnicott (1956/1987b), as crianças que manifestam tendência anti-social são aquelas cujo desenvolvimento vinha caminhando bem, até que, por algum motivo, foi perdido algo que nutria sua segurança psíquica. A agressividade constitui, então, um pedido, uma reivindicação ao ambiente para o retorno ao ponto em que houve falha no desenvolvimento, a fim de dar curso ao que foi interrompido. Seja na mentira, seja no furto ou na depredação, a manifestação da tendência anti-social revela a necessidade de reconhecimento externo daquilo que faltou e do suprimento dessa falta, vivida como experiência dolorosa. Deve-se considerar que uma criança agressiva não o é o tempo inteiro. Seus impulsos de destrutividade surgem nos períodos de esperança, ou seja, quando o meio lhe transmite elementos de confiabilidade. Por isso mesmo Winnicott (1956/1987b) aponta a escola como ambiente propício à manifestação agressiva, nos casos em que: 1) a criança não encontrou continência necessária aos seus impulsos no seio familiar e 2) apresenta esperança e confiança de que a escola possa cumprir essa função.

Esta esperança, que surge de forma inadequada através de comportamentos agressivos destrutivos, revela o que Winnicott (1956/1987) aponta como um dos aspectos do “valor de incômodo da criança antisocial” (p. 132). No ambiente escolar, o valor de incômodo pode corresponder a um conjunto de elementos como o desafio às normas, o baixo desempenho acadêmico, o comportamento agitado e a perturbação do ambiente. Isto parece se coadunar com as afirmações de Katz (1992), psicoterapeuta americana especializada em atendimento a crianças agressivas, sobre o fato de que estas crianças preferem brincadeiras envolvendo grande atividade motora, como decorrência da dificuldade de engajamento em jogos simbólicos. Kernberg e Chazam (1993), especialistas em psicoterapia infantil, registram que as crianças com transtorno de conduta apresentam déficits em nível egóico nas seguintes áreas: atenção, controle de impulso, julgamento, modulação do afeto, linguagem e tolerância à frustração. Observa-se que estes déficits constituem importantes aspectos que concorrem para prejudicar o desempenho escolar.

Considerando-se que a agressividade, como assinala Winnicott (1939/1987a, 1956/1987b), é uma reivindicação ao ambiente visando ao reconhecimento e retorno a um período de privação crítica para a retomada do desenvolvimento emocional, a escola não poderia deixar de vivenciar manifestações de comportamento agressivo. Ao oferecer um ambiente relativamente estável, com regras claras, a escola configura um espaço de confiabilidade, constância e segurança, muitas vezes ausente da história de vida de algumas crianças. Assim, elas depositam suas necessidades de atenção, afeto e firmeza nos educadores, esperançosas de contarem com parâmetros e limites que, geralmente, não foram estabelecidos pela família.

Segue algumas dicas aos pais e educadores, as quais poderão minimizar a situação, mas o resultado irá depender do empenho de todos :

  • Estabelecer regras e LIMITES;
  • Proporcionar AFETO e ATENÇÃO;
  • Promover o diálogo, orientando e explicando o motivo que não pode realizar algo de maneira clara e objetiva, não se estenda na explicação;
  • Ensinar à criança a obter autocontrole, de maneira que possa expôr oralmente da sua maneira o que a incomoda;
  • Não é indicado usar a punição com violência física;
  • Usar de muita paciência;
  • Elogiar quando a criança apresentar um bom comportamento;
  • Permitir que a criança possa escolher e se expressar através da atividade física, musical ou artística;
  • Não é indicado expôr a criança, relatando sobre seus atos na frente dos amigos e ou familiares;
  • Ouvir mais o que a criança deseja falar, mesmo que ainda não consiga organizar seus pensamentos através da fala, mas ouça.

Espero ter colaborado em uma reflexão construtiva, com a intenção de viabilizar mudanças de hábitos, pois acreditem que todos são capazes de rever atitudes e oferecer uma melhor qualidade de vida aos alunos e ou seus filhos. Contem comigo! Consult Consultoria Psicopedagógica Daniela Trigo.

Referências bibliográficas:

Klein, M. (1955). A técnica psicanalítica através do brincar: sua história e significado. Rio de Janeiro: Imago.

Vygotsky, L. S. (1989). A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores (J. C. Neto, L. S. M. Barreto & S. C. Afeche, Trans.). São Paulo: Martins Fontes.

Winnicott, D. W. Agressão. Em Privação e Delinqüência (pp. 89-96). São Paulo: Martins Fontes.

Winnicott, D. W. A tendência anti-social. Em Privação e Delinqüência (pp. 127-137). São Paulo: Martins Fontes.

 

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2 thoughts on “AGRESSIVIDADE, SINAL DE ALERTA!

  • Eleonora Porfirio says:

    Excelente matéria. Parabéns. Estou apredendo a lidar com essas situações que aliadas a dificuldade de aprendizado, fazem com que meu filho tenha um atraso muito grande na vida escolar. Levarei isso comigo e colocarei em prática.

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