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BRINCAR TEM IDADE?

21 maio admin 0 Coordenação . Orientação familiar . Reunião de pais . Uncategorized

“O momento do brincar é de suma importância para estimular o desenvolvimento cognitivo, as habilidades sociais, habilidades em raciocínio lógico matemático, habilidades psicomotoras e a linguagem oral e escrita, ou seja beneficia de maneira significativa e prazerosa o desenvolvimento em todas as áreas necessárias para promover o processo ensino aprendizagem de qualidade.”

Daniela Trigo – Psicopedagoga

Esse momento do brincar é vivenciado por todas as idades, pois quem nunca parou para jogar um baralho, dominó, dama, entre outros jogos? Portanto, esse momento de descontração oferece prazer a todas as idades, mas também proporciona uma estimulação no desenvolvimento cognitivo, ou seja na atenção, concentração, memória e com isso uma melhor compreensão.

Precisamos ativar áreas no nosso cérebro para que possamos vivenciar uma terceira idade de melhor qualidade, com autonomia, independência e consequentemente melhores iniciativas.

Na idade escolar independente da modalidade de ensino ao se deparar com experiências de aprendizagens lúdicas e prazerosas, com certeza irá promover uma aprendizagem significativa e fará parte de seu repertório de aprendizagens em sua memória.

Vamos analisar algumas citações de teóricos que nos proporcionam um repertório de pesquisa para que possamos analisar nossa prática diária em casa e na escola, além da importância desses momentos serem qualificados.

Para Vygotsky, o brincar também libera a criança das limitações do mundo real, permitindo que ela crie situações imaginárias. Ao mesmo tempo é uma ação simbólica essencialmente social, que depende das expectativas e convenções presentes na cultura. Quando duas crianças brincam de ser um bebê e uma mãe, por exemplo, elas fazem uso da imaginação, mas, ao mesmo tempo, não podem se comportar de qualquer forma; devem, sim, obedecer às regras do comportamento esperado para um bebê e uma mãe, dentro de sua cultura. Caso não o façam, correm o risco de não serem compreendidas pelo companheiro de brincadeira.

O brincar também permite que a criança tome certa distância daquilo que a faz sofrer, possibilitando-lhe explorar, reviver e elaborar situações que muitas vezes são difíceis de enfrentar. Autores clássicos da psicanálise, como Freud (1908) e Melanie Klein (1932, 1955), ressaltam a importância do brincar como um meio de expressão da criança, contexto no qual ela elabora seus conflitos e demonstra seus sentimentos, ansiedades desejos e fantasias.

Já Winnicott (1975), pediatra e psicanalista inglês, faz referência à dimensão de criação presente no brincar. Segundo esse autor, é muito mais importante o uso que se faz de um objeto e o tipo de relação que se estabelece com ele do que propriamente o objeto usado. A ênfase está no significado da experiência para a criança. Brincando, ela aprende a transformar e a usar os objetos, ao mesmo tempo em que os investe e os “colore” conforme sua subjetividade e suas fantasias. Isso explica por que, muitas vezes, um urso de pelúcia velho e esfarrapado tem mais importância para uma criança do que um brinquedo novo e repleto de recursos, como luzes, cores, sons e movimento.

O brincar auxilia o desenvolvimento simbólico, mas não se trata de entender o símbolo como exercício ou cópia de letras e números em práticas de uso do brinquedo no ensino formal. A criança, ao brincar de fazer compras no mercado, desenvolve a linguagem verbal e quando dispõe de um ambiente preparado, com embalagens de caixas de mantimentos, refrigerantes com rótulos que indicam o nome dos produtos, e utiliza dinheiro que constrói como moeda de troca, vai penetrando no mundo letrado e gradativamente avançando no processo de alfabetização e no processo do letramento.

Portanto, todas as citações acima enquanto referênciais teóricos conceituados, justificam situações de aprendizagem e de alicerce emocional significativos para o desenvolvimento do ser humano. Vamos explorar esse momento do brincar com intervenções pedagógicas e em casa, com qualidade para alicerçarmos nossas crianças de maneira envolvente e prazerosa. Espero ter colaborado nesta reflexão de pais e educadores, estou à disposição. CONSULT – Consultoria Psicopedagógica Daniela Trigo.

Referências:

Freud, S. (1908). Escritores criativos e devaneios. Edição standard das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. IX. Rio de Janeiro: Imago.

Klein, M. (1955). A técnica psicanalítica através do brincar: sua história e significado. Rio de Janeiro: Imago.

Vygotsky, L. S. (1989). A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores (J. C. Neto, L. S. M. Barreto & S. C. Afeche, Trans.). São Paulo: Martins Fontes.

Winnicott, D. W. (1975). O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago.

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